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«MГ©dico espacial», James White

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Número 220 da coleção Argonauta

 

Tradução de Eurico Fonseca

EDICAO LIVROS DO BRASIL 1975

CAPГЌTULO I

Muito longe, na periferia da Galáxia, onde os sistemas estelares eram raros e as trevas quase absolutas, o Hospital Gerai do Sector Doze flutuava no espaço. Nos seus trezentos e oitenta e quatro pisos estavam reproduzidos os ambientes de toldas as formas de vida inteligentes conhecidas da Federação Galáctica, um espectro biológico que ia das formas da metana ultra frígida, passando pelos tipos mais normais, respiradores de oxigénio ou cloro, até às criaturas mais exóticas cuja existência dependia da conversão directa de radiação «dura». Os seus milhares de vigias estavam sempre cheias de luz — luz na perturbante variedade de cores e intensidades necessárias para o equipamento visual dos seus funcionários e dos seus pacientes extraterrestres — de modo que, para as naves que se aproximavam, o grande Hospital parecia uma enorme e cilíndrica árvore de Natal.

O Sector Geral representava um milagre duplo de engenharia e psicologia. O seu abastecimento e a sua manutenção eram assegurados pelo Corpo de Monitores — o braço executivo e policial da Federação — que também tratava da sua administração, mas o atrito tradicional entre os membros militares e civis do pessoal não existia. Nem havia quaisquer dissensões notáveis entre as dez mil criaturas que formavam o quadro médico, composto por cerca de sessenta formas de vida diferentes, cota sessenta diferentes conjuntas de maneirismos, odores corporais e atitudes perante a vida. Talvez o seu único denominador comum fosse a necessidade de todos os médicos, fosse qual fosse o seu tamanho, feitio ou número de pernas, curarem os doentes.

O pessoal do Sector Geral era um grupo de criaturas dedicadas, mas nem sempre sérias, que eram fanaticamente tolerantes esta relação a todas as formas de vida inteligente — se não fosse assim eles não estariam ali, para começar. E orgulhavam-se de que nenhum caso era demasiado grande; demasiado pequeno ou demasiado desesperado. O seu conselho ou assistência era procurado por autoridades médicas de toda a Galáxia. Todos eles pacifistas, travavam uma guerra constante, sem quartel, contra o sofrimento e á doença fossem de indivíduos ou de populações planetárias inteiras.

Mas havia ocasiões em que o diagnóstico e o tratamento de uma cultura interstelar doente, implicando a remoção cirúrgica de preconceitos profundamente enraizados e valores morais insanos sem a cooperação e o consentimento Mo paciente, podiam, apesar do pacifismo dos doutores encarregados do caso, conduzir à guerra. Ponto final.

A criatura trazida para a sala de observações era um grande espécime — com uma massa de cerca de quatrocentos e cinquenta quilos, segunda os cálculos de Conway — e lembrava uma pêra Vertical, gigantesca. Cinco espessos apêndices tentaculares cresciam da estreita secção da cabeça e um pesado avental de músculos na base evidenciava um método de locomoção semelhante ao dos caracóis, ainda que não necessariamente lento. Toda a superfície do corpo parecia em carne viva, lacerada, como se alguém a houvesse querido esfolar com tens escova de arame.

Para Conway não havia nada de invulgar sobre o aspecto físico do paciente ou o seu estado — seis anos no Hospital do Sector Geral, no espaço, tinham-no habituado a visões mais espantosas — portanto aproximou-se para proceder a um exame preliminar. Imediatamente, o tenente do Corpo de Monitores que acompanhara a maca do paciente até à sala aproximou-se também. Conway tentou ignorar o bafo na sua nuca e olhou a criatura mais de perto.

Cinco grandes bocas estavam situadas por baixo da raiz de cada tentáculo, quatro delas abundantemente fornecidas de dentes e a quinta servindo de alojamento ao aparelho vocal. Os tentáculos propriamente ditos mostravam um alto grau de especialização nas suas extremidades; três deles eram simplesmente manipulatórios, um continha o equipamento visual do paciente e os membros restantes terminavam numa massa ossuda, com uma extremidade córnea. A cabeça não possuía quaisquer feições: era apenas uma cúpula óssea, sobre o cérebro da criatura.

Não havia muito mais que ver, num exame superficial. Conway voltou-se para pegar nos seus aparelhos de sondagem profunda e tropeçou no monitor.

Irritado, disse: — Tenente, está a pensar a sério em estudar medicina?

O tenente corou e o seu rosto tornou-se numa horrível mancha de cor sobre o verde-escuro do colarinho do uniforme. Empertigado, disse: — Esse paciente é um criminoso. Foi encontrado em circunstâncias que indicam que ele matou e devorou o outro membro da tripulação da sua nave. Manteve-se Inconsciente durante a viagem até aqui, mas recebi ordens para o manter sob vigilância, pelo sim, pelo não. Farei o possível por não o incomodar, Doutor.

 

Conway engoliu em seco e olhou para a maça córnea, terrivelmente perigosa, com que, sem dúvida, a espécie do paciente abrira caminho até ao cimo da sua árvore evolucionária. Disse secamente: — Não se esforce muito, Tenente.

Usando os olhos e um explorador portátil de raios X, Conway examinou cuidadosamente o paciente, por dentro e por fora, retirou vários espécimes, incluindo secções da pele afectada, e enviou-os para a Patologia com três páginas bem cheias de comentários. Depois deixou o doente e coçou a cabeça.

O paciente tinha sangue quente, respirava oxigénio, estava habituado a uma gravidade normal e a pressões também normais, o que, quando se considerava a forma geral da besta, lhe dava a classificação fisiológica de EPLH. Parecia estar a sofrer de um epitelioma bem desenvolvido e espalhado, e os sintomas eram tão evidentes que ele devia ter começado o tratamento seta esperar pelo relatório da Patologia. Mas uma doença cancerosa na pele não tornava, normalmente, uma criatura inconsciente.

Isso podia indicar complicações psicológicas, e nesse caso teria de procurar auxílio especializado. Um dos seus colegas telepáticos seria a opção óbvia, se não fora o facto de os telepatas raramente poderem trabalhar com cérebros que não fossem já telepáticos e das mesmas espécies que eles. Excepto em casos muito raros, a telepatia era um circuito de comunicação estreitamente fechado. O que o levava ao seu amigo GLNO, o empata Dr. Prilicla…

Atrás dele, o tenente tossiu baixinho e disse: — Quando acabar o exame, Doutor, O’Mara gostaria de lhe falar.

Conway moveu a cabeça afirmativamente. Sorriu e disse: — Vou mandar alguém vigiar o doente; guardá-lo tão bem como você está a guardar-me.


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